Waterwall

O espetáculo Waterwall, conhecido mundialmente pelas suas coreografias com água, esteve no Brasil, nas últimas três semanas.

Quem acompanhou a última sessão da companhia italiana Materiali Resistenti Dance Factory no Credicard Hall em São Paulo, pode perceber uma casa vazia com aplausos frios. Qual seria o motivo?

Sendo o espetáculo mais famoso da Cia. por suas coreografias junto a uma queda d'água artificial montada no palco, que despeja aproximadamente 16 mil litros de água por sessão (convenhamos, com a atual preocupação mundial quanto a escassez de água, esse dado mostra uma desperdício absurdo!), espera-se que seja cheio de emoção. Aí que começa o problema... os integrantes esbanjam energia e vontade, mas as coreografias não são muito elaboradas, comprometendo a sensibilização do público, fica um gosto de que poderiam existir passos mais complexos, que tivessem o fator risco ao invés daqueles passos que mostram total segurança do elenco.

Fato dois: qual o tamanho da queda d'água que você imagina quando começa a ler sobre espetáculo? No mínimo algo grandioso? Pois é! A "cachoeira", guardadas as devidas proporções, pode ser comparada a uma ducha.

Fato três: sincronismo é necessário! é complicado assistir a um espetáculo de dança, quando cada um do grupo está em uma etapa dos passos.

Cena do espetáculo Waterwall (Divulgação)

MÉDIA: 4.0


RECOMENDAÇÃO: Fique em casa! Não merece o seu dinheiro...



Escrito por Guilherme Udo às 18h19
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A Noviça Rebelde

E finalmente, em 22 de maio de 2008, estréia a nova produção brasileira de A Noviça Rebelde (The Sound of Music), famoso musical da Broadway, imortalizado pelo filme homônimo. A nova montagem não segue o chamado "musical franchising" e, portanto, é totalmente brasileira no que se refere a escolha de cenários, figurinos, interpretação e outros detalhes, seguindo somente o roteiro original e as canções.

Quem é fã do filme, se surpreenderá com a montagem, que reproduz a história que foi montada nos palcos, antes mesmo da adaptação cinematográfica, assim, algumas canções novas aparecem, ao lado daquelas que foram compostas somente para o filme e imortalizadas, mas que permanecem nessa versão, e a famosa música na qual Maria, no Brasil interpretada por Kiara Sasso - veterana atriz de musicais, que participou de produções como A Bela e a Fera e O Fantasma da Ópera -, canta suas coisas favoritas: "Coisas que eu amo" (My favourite things), nessa versão é ambientada no convento ao lado da Madre Superiora e não mais no quarto com as crianças Von Trapp, a explicação para o fato? simples, desde o início desse ano, a detentora dos direitos autorais da peça não permite mais que seja reproduzida a versão dos cinemas no palco, devendo ser seguida a estrutura original da composição, a qual, sinceramente, é muito coerente, pois a canção fica completamente amparada pelo enredo quando localizada naquele momento do texto.

Os méritos dessa montagem são grandes: Kiara Sasso, mostra domínio no genêro musical e prova que sua experiência é grande, com técnica vocal acertada, a única ressalva é que em alguns momentos eu via a personagem Bela tentando ser a Noviça, talvez pelo excesso de meiguisse que remete a um personagem anterior da carreira da atriz, que ainda resgatou um timbre de voz semelhante em algumas falas; o elenco infantil, composto por 18 crianças que se revezam interpretando 6 filhos do Capitão Von Trapp, é brilhante! Todas cantam, dançam, interpretam e fazem inveja até em alguns atores mais experientes! É incrível ver a afinação deles, concentradíssimos em seus papéis; Solange Badim faz uma Baronesa que junto com Fernando Eiras, o Tio Max, garante comicidade no ponto certo e ainda qualidade técnica invejável; Mirna Rubim e Vera do Canto, que nessa montagem se revezam no papel de Madre Superiora, fazem bonito, cada uma compondo sua personagem de forma diferente e sempre com qualidade vocal invejável (se puder veja com as duas! se não, opte por Mirna que além de fazer uma Madre mais amorosa, brilha com sua voz potente!); Carolina Puntel e Maria Netto, intérpretes de Liesl, alternam sessões no papel da filha mais velha do Capitão, e cada uma com sua doçura e jeito meigo, defendem o papel brilhantemente e garantem uma linda cena com a canção "Dezesseis e Dezessete" e as freiras que mostram imensa qualidade técnica.

Mas existem alguns itens que não contribuem para o brilhantismo da peça: Herson Capri, o famosos Capitão Georg Von Trapp nessa montagem, não chega aos pés do resto do elenco, inconfortável com a necessidade de cantar e tirando o brilho de um dos momentos mais emocionantes da peça, a canção "Edelweiss", tenho certeza que Ricca Barros, substituto de Herson, defende o Capitão de forma muito mais acertada; Bruno Miguel faz um Rolf sem graça e que desafinou nas duas noites em que acompanhei a peça, não correspondendo ao brilhantismo de seu par romântico, a linda Liesl; os cenários poderiam ter um maior glamour, algo me incomodava, talvez pelo fato de imaginar uma mansão da família Von Trapp muito mais imponente, o que talvez não foi possível devido as dimensões do teatro Oi Casa Grande, que apesar de ser um grande marco para o Rio de Janeiro, não é nem de perto um Teatro Abril ou um Teatro Alfa; as transições de cenários poderiam ser mais dinâmicas, a solução de ser utilizar penumbra enquanto automatizadamente os cenários se movem vagarosamente enquanto o maestro sustenta uma trilha relacionada com a peça, acaba por tirar o dinamismo da montagem e, por último, a péssima idéia de se utilizar algumas projeções que com desenhos infantis, me fizeram perguntar: não existe nada melhor do que inventar bonequinhos pra aparecerem atrás da protagonista em um de seus solos?

O saldo é positivo! Uma peça divertida, leve, alegre, para todas as idades! Que emociona os mais velhos que se lembram do filme e diverte as crianças e adolescentes que se sentem representados no palco!

Talvez, falte um pouco mais de emoção em substituição a técnica.

MÉDIA: 9.0


RECOMENDAÇÃO: Não deixe de curtir "Coisas que eu amo" interpretada por Maria e a Madre Superiora, se encante em todas as músicas cantadas pelas crianças e se divirta com a Baronesa e o Tio Max em "O que é que a gente faz?".



Escrito por Guilherme Udo às 21h29
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Os Monólogos da Vagina

Há vários anos em cartaz, a peça "Os Monólogos da Vagina" já percorreu várias cidades do Brasil e, por todo lugar, deve ter arrebatado risadas da platéia.

No sábado, dia 3 de maio de 2008, fui conferir, pela segunda vez, essa comédia; juro que me surpreendi, um elenco afinado, com interpretações no ponto, sem exceder o limite entre o bom tom e a comédia escrachada, as atrizes Vera Setta, Betina Vianny, Cacau Melo e Tânia Alves formam o time atual, se revezando nas apresentações, pois o enredo é conduzido por três delas a cada sessão.

No dia 3, conferi Vera Setta (que também é produtora da peça ao longo de 8 anos e foi quem trouxe o texto para o Brasil, convidando Miguel Falabella para tradução e direção), Betina Vianny e Cacau Melo.

Quem mais me surpreendeu foi, sem dúvida, Cacau Melo, mais jovens das atrizes, mas que segurou a peça com a maior garra e elegância, sendo disparada a melhor. Há alguns anos atrás, tive a oportunidade de assistir Vera Setta, Fafy Siqueira e Tânia Alves, e esta última defendia o mesmo papel que vi Cacau representar, afirmo sem dúvida que Cacau bateu de 10 a 0 em Tânia.

 

Mas... passados esses anos, será que "Os Monólogos da Vagina" ainda surpreende? Seu enredo é atual?

Claro! As piadas e algumas gags do texto foram atualizadas ao longo do tempo e os enredos dos monólogos retratam temas universais e de fácil identificação, difícil não se render a mais de uma hora de risadas!

Atrizes da Peça

MÉDIA: 8,0; há algumas ressalvas em questão de figurino e cenário!

RECOMENDAÇÃO: Vá assistir! Mas livre-se dos pudores antes!



Escrito por Guilherme Udo às 18h10
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West Side Story

Em 2007, a Takla Produções Artísticas trouxe um musical que foi muito elogiado pela crítica e pelo público, My Fair Lady. Neste ano, o diretor Jorge Takla tenta repetir o sucesso com outro clássico dos musicais, West Side Story, que conta a história de Maria e Tony, um casal inspirado em Romeu e Julieta, que luta para ficar junto, mesmo pertencendo a gangues inimigas.

Com música de Leonard Bernstein e letras de Stephen Sondheim, o musical tem versão brasileira assinada por Cláudio Botelho, que consegue fazer versões que funcionam bem, mas nem de longe possuem a dinâmica das letras de Sondheim. Além disso, Botelho consegue achar soluções geniais para difíceis problemas (como a música "Tonight", que em português foi adaptada para "Você"), mas não consegue fugir dos lugares comuns em músicas mais simples de serem versionadas.

Os cenários, assinados por Jorge Takla, são bonitos e adequados, pois apesar de serem pequenos para não atrapalhar os números de dança, possuem uma impressionante riqueza de detalhes. A troca dos cenários acontece de maneira rápida e dinâmica, sem pano branco como acontecia em My Fair Lady. O diretor também é o responsável pela iluminação, que pode incomodar a princípio os fãs acostumados com as cores do filme, mas que são fiéis a montagem da Broadway de 1957.

No elenco, Fred Silveira consegue com seu timbre suave dar uma nova cara ao personagem Tony. No papel de Maria está Bianca Tadini, que merecidamente volta a ocupar um lugar de protagonista após ser substituta em "O Fantasma da Ópera" e "My Fair Lady". Ela consegue fazer uma Maria apaixonante e impressiona a platéia com a facilidade que tem em alcançar as notas mais altas. Sara Sarres como Anita é quem mais surpreende em um papel bem diferente daquele que o público está acostumado a vê-la e mostra total domínio na dança, canto e atuação. Francarlos Reis também brilha, mesmo em um papel pequeno.
O restante do elenco se mostra muito afiado e competente no canto e nos complicados números de dança, mas por ser um musical com uma grande quantidade de diálogos, fica claro que existe uma certa deficiência de alguns membros do coro no quesito atuação.
A orquestra sob a regência de Vânia Pajares é um espetáculo à parte, principalmente ao final do espetáculo, quando tocam a música que serviu de abertura na versão cinematográfica.

No final, o saldo é positivo e Jorge Takla consegue mais uma vez fazer um espetáculo com grande qualidade técnica e que somente perde alguns pontos na atuação e na história. Apesar de muitos insistirem que a trama se mantem atual nos nossos dias, é difícil levar a sério uma briga de gangues que se vestem de cores diferentes, com data e hora marcadas, ainda mais com a violência que vivemos não só no Brasil, mas no mundo todo. O amor de Tony e Maria também é outro ponto questionável, pois tudo acontece muito rápido na trama e acaba sendo até difícil se envolver e torcer pelo amor dos dois. No entanto, estes são problemas que já existiam na produção original.

 


MÉDIA: 8.0


RECOMENDAÇÃO: Preste atenção na cena do Ballet no início do segundo ato, uma das músicas mais bonitas, cantada pela talentosa Daniela Vega.


 



Escrito por Leonardo Polo às 18h05
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