Os Monólogos da Vagina

Há vários anos em cartaz, a peça "Os Monólogos da Vagina" já percorreu várias cidades do Brasil e, por todo lugar, deve ter arrebatado risadas da platéia.

No sábado, dia 3 de maio de 2008, fui conferir, pela segunda vez, essa comédia; juro que me surpreendi, um elenco afinado, com interpretações no ponto, sem exceder o limite entre o bom tom e a comédia escrachada, as atrizes Vera Setta, Betina Vianny, Cacau Melo e Tânia Alves formam o time atual, se revezando nas apresentações, pois o enredo é conduzido por três delas a cada sessão.

No dia 3, conferi Vera Setta (que também é produtora da peça ao longo de 8 anos e foi quem trouxe o texto para o Brasil, convidando Miguel Falabella para tradução e direção), Betina Vianny e Cacau Melo.

Quem mais me surpreendeu foi, sem dúvida, Cacau Melo, mais jovens das atrizes, mas que segurou a peça com a maior garra e elegância, sendo disparada a melhor. Há alguns anos atrás, tive a oportunidade de assistir Vera Setta, Fafy Siqueira e Tânia Alves, e esta última defendia o mesmo papel que vi Cacau representar, afirmo sem dúvida que Cacau bateu de 10 a 0 em Tânia.

 

Mas... passados esses anos, será que "Os Monólogos da Vagina" ainda surpreende? Seu enredo é atual?

Claro! As piadas e algumas gags do texto foram atualizadas ao longo do tempo e os enredos dos monólogos retratam temas universais e de fácil identificação, difícil não se render a mais de uma hora de risadas!

Atrizes da Peça

MÉDIA: 8,0; há algumas ressalvas em questão de figurino e cenário!

RECOMENDAÇÃO: Vá assistir! Mas livre-se dos pudores antes!



Escrito por Guilherme Udo às 18h10
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West Side Story

Em 2007, a Takla Produções Artísticas trouxe um musical que foi muito elogiado pela crítica e pelo público, My Fair Lady. Neste ano, o diretor Jorge Takla tenta repetir o sucesso com outro clássico dos musicais, West Side Story, que conta a história de Maria e Tony, um casal inspirado em Romeu e Julieta, que luta para ficar junto, mesmo pertencendo a gangues inimigas.

Com música de Leonard Bernstein e letras de Stephen Sondheim, o musical tem versão brasileira assinada por Cláudio Botelho, que consegue fazer versões que funcionam bem, mas nem de longe possuem a dinâmica das letras de Sondheim. Além disso, Botelho consegue achar soluções geniais para difíceis problemas (como a música "Tonight", que em português foi adaptada para "Você"), mas não consegue fugir dos lugares comuns em músicas mais simples de serem versionadas.

Os cenários, assinados por Jorge Takla, são bonitos e adequados, pois apesar de serem pequenos para não atrapalhar os números de dança, possuem uma impressionante riqueza de detalhes. A troca dos cenários acontece de maneira rápida e dinâmica, sem pano branco como acontecia em My Fair Lady. O diretor também é o responsável pela iluminação, que pode incomodar a princípio os fãs acostumados com as cores do filme, mas que são fiéis a montagem da Broadway de 1957.

No elenco, Fred Silveira consegue com seu timbre suave dar uma nova cara ao personagem Tony. No papel de Maria está Bianca Tadini, que merecidamente volta a ocupar um lugar de protagonista após ser substituta em "O Fantasma da Ópera" e "My Fair Lady". Ela consegue fazer uma Maria apaixonante e impressiona a platéia com a facilidade que tem em alcançar as notas mais altas. Sara Sarres como Anita é quem mais surpreende em um papel bem diferente daquele que o público está acostumado a vê-la e mostra total domínio na dança, canto e atuação. Francarlos Reis também brilha, mesmo em um papel pequeno.
O restante do elenco se mostra muito afiado e competente no canto e nos complicados números de dança, mas por ser um musical com uma grande quantidade de diálogos, fica claro que existe uma certa deficiência de alguns membros do coro no quesito atuação.
A orquestra sob a regência de Vânia Pajares é um espetáculo à parte, principalmente ao final do espetáculo, quando tocam a música que serviu de abertura na versão cinematográfica.

No final, o saldo é positivo e Jorge Takla consegue mais uma vez fazer um espetáculo com grande qualidade técnica e que somente perde alguns pontos na atuação e na história. Apesar de muitos insistirem que a trama se mantem atual nos nossos dias, é difícil levar a sério uma briga de gangues que se vestem de cores diferentes, com data e hora marcadas, ainda mais com a violência que vivemos não só no Brasil, mas no mundo todo. O amor de Tony e Maria também é outro ponto questionável, pois tudo acontece muito rápido na trama e acaba sendo até difícil se envolver e torcer pelo amor dos dois. No entanto, estes são problemas que já existiam na produção original.

 


MÉDIA: 8.0


RECOMENDAÇÃO: Preste atenção na cena do Ballet no início do segundo ato, uma das músicas mais bonitas, cantada pela talentosa Daniela Vega.


 



Escrito por Leonardo Polo às 18h05
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